A
primeira descrição da hiperatividade data de 1902, quando um médico inglês, G.
Still, descreveu um conjunto de alterações de comportamento em crianças, as
quais, segundo ele, não podiam ser explicadas por falhas ambientais, mas
resultavam de algum processo biológico desconhecido até então.
Entre
1916 e 1927, nova onda de interesse por esse quadro clínico surgiu graças à
observação de manifestações semelhantes em crianças que foram acometidas pela
encefalite epidêmica de Von Economo. Os adultos que tinham sofrido dessa
encefalite desenvolviam como sequela um quadro parkinsoniano, ao passo que as
crianças passavam a mostrar um quadro de hiperatividade e alterações da
conduta.
O
tema das lesões de nascimento e danos cerebrais persistiu nos anos 30 e 40, na
idéia da criança com lesões cerebrais, mesmo quando nenhum indício de danos
neurológicos era encontrado. A lesão cerebral era invocada para explicar
comportamentos incontroláveis. Ao longo dessas décadas, a medicação estimulante
(anfetaminas) foi testada pela primeira vez e com sucesso, para ajudar a
algumas dessas crianças.
Essa
condição pautada nas lesões recebeu diversas denominações, ao longo do tempo:
Lesão Cerebral Mínima, Disfunção Cerebral Mínima, Síndrome da Criança
Hiperativa, Distúrbio Primário da Atenção e Distúrbio do Déficit de Atenção,
com ou sem Hiperatividade (DDA/H).
Em
1960, Stella Chess começaram a escrever sobre a Síndrome da criança hiperativa.
Chess encarava os sintomas como parte de uma hiperatividade fisiológica, cujas
causas estariam enraizadas mais nos determinantes biológicos.
Na
década de 70, muitos pesquisadores investigaram a síndrome da hiperatividade,
Virginia Douglas no Canadá, começou a dedicar um olhar abrangente aos sintomas
associados à hiperatividade e encontrou quatro características principais: (1)
déficit de atenção e esforço; (2) hiperatividade; (3) problemas na regulação do
nível de vigília; e (4) necessidade de reforço imediato. Graças a essas
pesquisas, em 1980, a síndrome foi rebatizada como distúrbio do déficit de atenção.
(HALLOWELL, 1999)
Até
recentemente, acreditava-se que os sintomas de DDA desapareciam espontaneamente
na adolescência. Mais recentemente, Paul Wender e outros autores (1995)
descreveram casos em adultos, e o pensamento atual é que o DDA persiste em
aproximadamente 50% a 80% dos casos na idade adulta, embora o quadro clínico,
com frequência, sofra alguma modificação. Com o passar dos anos, os sinais de hiperatividade
tendem a diminuir, algumas características de impulsividade podem persistir e
os traços de desatenção são os que mais tendem a perdurar. Paralelamente a essa
mudança na apresentação do quadro, com o tempo, outros transtornos costumam se
associar ao problema básico, muitas vezes sobrepondo-se ao mesmo.
Na
literatura médica, as primeiras referências sobre os transtornos
hipercinéticos, apareceram no meio do século XIX, sofrendo constantes mudanças
de nomenclatura, pois na década de 40, surgiu a designação de “lesão cerebral
mínima”, sendo modificado em 1962 para “disfunção cerebral mínima”,
reconhecendo-se as alterações características da síndrome relacionando-a mais a
disfunções em vias nervosas do que propriamente a lesões nas mesmas. (LUIS
AUGUSTO ROHDE, GENÁRIO BARBOSA, SILZÁ TRAMONTINA e GUILHERME POLANCZYK, p. 7,
2000)
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO DÉFICIT DE ATENÇÃO -
ABDA. Hiperatividade. Disponível em http://www.tdah.org.br. Acessado em 09
mar 2008.
ROHDE, Luis Augusto; BARBOSA, Genário;
TRAMONTINA, Silzá e POLANCZYK, Guilherme. Transtorno de déficit de
atenção/hiperatividade. Revista Brasileira de Psiquiatria 2000;22(Supl II):
7-11.
ROHDE, Luis Augusto P. e BENCZIK, Edyleine B.
P. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: o que é? Como
ajudar?. Porto Alegre: ARTMED Editora, 1999.


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